Se a Bolsa estiver em alta e o dólar em baixa; se o déficit primário (que ninguém sabe o que significa) estiver compatível com as metas; se a inflação estiver controlada; se o SUS der um atendimento razoável; se as bolsas família forem pagas em dia; se a balança de pagamentos continuar favorável ao Brasil; se... Todos dirão que estamos voando em céu de brigadeiro.
Mesmo que os juros estejam na Lua; mesmo que o real super valorizado nos encaminhe para graves conseqüências econômicas, sobretudo nas exportações; mesmo que, a cada semana, o Procurador Geral da República tenha que indiciar mais dez corruptos; mesmo que as meninas menores sejam estupradas regularmente em diversas cadeias controladas pelo estado brasileiro; mesmo que os congestionamentos de São Paulo acarretem um prejuízo de R$ 25 bilhões por ano, além do sacrifício pessoal de milhões de trabalhadores; mesmo que a Previdência esteja em vermelho apesar das aposentadorias serem ridículas; mesmo que as crianças saiam do primário sem escrever o português; mesmo que o desemprego seja bem maior do que a demanda; mesmo que se torture nas prisões; mesmo que se desmate a Amazônia. Mesmo que... Todos dirão que estamos voando em céu de brigadeiro.
O apagão energético, apagão aéreo, o apagão moral, o apagão carcerário, não constituem a menor advertência para uma correção de rumos. São meros acidentes do corriqueiro, como afirmou a governadora do Pará no caso da menina presa.
Difícil prever o futuro quando tudo se processa em torno dos interesses do presente. E ainda que pareça incrível, o maior interesse do presente são as eleições de 2010. O resto serão acidentes corriqueiros.
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